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Recursos Humanos - Gabinete da Presidência do Governo Regional da Madeira
RECURSOS HUMANOS - PRESIDÊNCIA DO GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA
PRESIDENTE DA COMISSÃO EUROPEIA - DR. DURÃO BARROSO
Visita Oficial à Madeira do PRESIDENTE DA COMISSÃO EUROPEIA - DR. DURÃO BARROSO
Eventos Realizados do Presidente
   
ACONTECEU A 13.09.2010 ÀS 13:00 SESSÃO Oficial de Abertura do Ano Universitário em Portugal.
O Presidente do Governo Regional da Madeira esteve presente no dia 13 de Setembro, às 11 horas, no Colégio dos Jesuítas, na cerimónia de abertura do ano lectivo das Universidades Portuguesas, cerimónia a nível nacional e que  será presidida pelo Primeiro Ministro.Na ocasião, estiveram presentes, para além do Ministro da Ciência e Tecnologia, a maior parte dos Reitores das Universidades portuguesas.De salientar, que o Presidente do Governo Regional da Madeira ofereceu na Quinta Vigia, um almoço oficial, com a presença destas Entidades.
   
ACONTECEU A 13.09.2010 ÀS 12:00 SESSÃO Oficial de Abertura do Ano Universitário em Portugal.
O Presidente do Governo Regional da Madeira esteve presente no dia 13 de Setembro, às 11 horas, no Colégio dos Jesuítas, na cerimónia de abertura do ano lectivo das Universidades Portuguesas, cerimónia a nível nacional e que  será presidida pelo Primeiro Ministro.Na ocasião, estiveram presentes, para além do Ministro da Ciência e Tecnologia, a maior parte dos Reitores das Universidades portuguesas.De salientar, que o Presidente do Governo Regional da Madeira ofereceu na Quinta Vigia, um almoço oficial, com a presença destas Entidades.
   
ACONTECEU A 13.09.2010 ÀS 12:00 SESSÃO Oficial de Abertura do Ano Universitário em Portugal.
O Presidente do Governo Regional da Madeira esteve presente no dia 13 de Setembro, às 11 horas, no Colégio dos Jesuítas, na cerimónia de abertura do ano lectivo das Universidades Portuguesas, cerimónia a nível nacional e que  será presidida pelo Primeiro Ministro.Na ocasião, estiveram presentes, para além do Ministro da Ciência e Tecnologia, a maior parte dos Reitores das Universidades portuguesas.De salientar, que o Presidente do Governo Regional da Madeira ofereceu na Quinta Vigia, um almoço oficial, com a presença destas Entidades.
   
ACONTECEU A 13.09.2010 ÀS 11:30 SESSÃO Oficial de Abertura do Ano Universitário em Portugal.
O Presidente do Governo Regional da Madeira esteve presente no dia 13 de Setembro, às 11 horas, no Colégio dos Jesuítas, na cerimónia de abertura do ano lectivo das Universidades Portuguesas, cerimónia a nível nacional e que  será presidida pelo Primeiro Ministro.
Na ocasião, estiveram presentes, para além do Ministro da Ciência e Tecnologia, a maior parte dos Reitores das Universidades portuguesas.De salientar, que o Presidente do Governo Regional da Madeira ofereceu na Quinta Vigia, um almoço oficial, com a presença destas Entidades.
   
ACONTECEU A 13.09.2010 ÀS 11:00 SESSÃO Oficial de Abertura do Ano Universitário em Portugal.
O Presidente do Governo Regional da Madeira esteve presente no dia 13 de Setembro, às 11 horas, no Colégio dos Jesuítas, na cerimónia de abertura do ano lectivo das Universidades Portuguesas, cerimónia a nível nacional e que  será presidida pelo Primeiro Ministro.

Na ocasião, estiveram presentes, para além do Ministro da Ciência e Tecnologia, a maior parte dos Reitores das Universidades portuguesas.

De salientar, que o Presidente do Governo Regional da Madeira ofereceu na Quinta Vigia, um almoço oficial, com a presença destas Entidades.
   
ACONTECEU A 11.09.2010 ÀS 11:00 SESSÃO de Abertura do Congresso Fundador da UGT Madeira
O Presidente do Governo Regional da Madeira esteve presente no dia 11 de Setembro, às 11:00 horas, no Hotel Vila Porto Mare, no Funchal, para uma intervenção, como convidado, no Congresso Fundador da UGT-Madeira.Presente neste Congresso o Secretário Geral da UGT, Engº João Proença.
   
ACONTECEU A 10.09.2010 ÀS 19:30 JANTAR de Celebração do 25.º Aniversário da Associação de Muncípios da RAM.
O Presidente do Governo, no dia 10 de Setembro, às 19.30 horas, participou nas celebrações do 25º Aniversário da Associação de Municípios da Região Autónoma da Madeira, que decorreram, no Restaurante Panorâmico do Pestana Casino Park Hotel, na cidade do Funchal.
   
ACONTECEU A 08.09.2010 ÀS 10:30 SESSÃO Solene do Dia do Concelho do Ponta do Sol.
O Presidente do Governo Regional da Madeira esteve presente no dia 8 de Setembro às 10.30 horas, na sessão solene, na Cãmara Municipal da Ponta do Sol, comemorativa do Dia da Ponta do Sol.
   
ACONTECEU A 05.09.2010 ÀS 16:30 CERIMÓNIA da Festa da Uva e do Agricultor, no Porto da Cruz.
No dia 5 de Setembro de 2010, o Presidente do Governo Regional da Madeira deslocou-se à Freguesia do Porto da Cruz, no Concelho de Machico.

O Presidente do Governo Regional da Madeira participou como convidado na Festa da Uva e do Agricultor, desfilando num cortejo Etnográfico às 16:00 horas, no centro da Freguesia e proferindo uma alocução à população pelas 16.30 horas
   
ACONTECEU A 03.09.2010 ÀS 15:00 AUDIÊNCIA com Directora Regional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras
O Presidente do Governo Regional da Madeira recebeu sexta-feira dia 3 de Setembro, às 15:00 horas, em audiência na Quinta Vigia, a Directora Regional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

 

 
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  QUINTA VIGIA - RESIDÊNCIA OFICIAL DO PRESIDENTE DO GOVERNO REGIONAL  
     
 
Quando em 1979 o Governo da Região Autónoma da Madeira adquiriu a Quinta das Angústias, iniciou-se uma série de obras, tanto nos jardins como nos edifícios, para melhor adaptação da Quinta ao fim que se destinava, o de residência oficial do Presidente do Governo.
 
     
  A Quinta Vigía.  
   
     
  Quando em 1979 o Governo da Região Autónoma da Madeira adquiriu a Quinta das Angústias, iniciou-se uma série de obras, tanto nos jardins como nos edifícios, para melhor adaptação da Quinta ao fim que se destinava, o de residência oficial do Presidente do Governo.
 
     
 
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NOTA INTRODUTÓRIA

Quando em 1979 o Governo da Região Autónoma da Madeira adquiriu a Quinta das Angústias, iniciou-se uma série de obras, tanto nos jardins como nos edifícios, para melhor adaptação da Quinta ao fim que se destinava, o de residência oficial do Presidente do Governo.

Três anos depois, visando «recuperar uma toponímia da antiga tradição de um espaço verde madeirense, em tempos desaparecido para dar lugar ao actual complexo Casino», foi resolvido através da resolução n‰ 444 da Presidência do Governo Regional que a sua denominação passaria a ser oficialmente de «Quinta Vigia» (Jornal Oficial, I Ù Série, N.‰ 17, 17 de Junho de 1982).

Terminadas as obras em 1984, a quinta será ocupada, mas apenas consignada à instalação de serviços públicos e a actos de representação oficial em nome da Região Autónoma, dado que o
Presidente do Governo não abdicou de viver na sua residência privada.

Como consequência, o Conselho de Governo resolveu que a terminologia a ser adoptada pela Administração Pública, quando referindo a Quinta Vigia, seria a de «Presidência do Governo». (Jornal Oficial, IÙ Série, N.‰ 8, 15 de Março de 1984).
     
   
     

QUINTA DAS ANGÚSTIAS (QUINTA LAMBERT)

É à beira-mar, sobre as penedias que dominam a Pontinha. Casa vastíssima e luxuosa - ambiente perfeito do século XIX - com belos azulejos na varanda que se abre, ampla, para o Sul; capela de grande valor artístico - talvez a mais importante, sob este aspecto, de todas as capelas e quintas madeirenses; flores em profusão, especialmente camélias e azáleas, num parque maravilhoso onde as árvores assumem beleza e magestade fora do vulgar, mesmo nesta ilha de gigantes vegetais, seculares e raros. Pisar este empedrado escuro e polido, que a pujança de raízes foi levantando em forçada ondulação; sentir a suavidade da luz coada pela ramaria, verde e compacta nas quatro Estações do ano; percorrer as ruazinhas musguentas por entre os canteiros deste jardim dormente; assomar à balaustrada que olha o mar e a cidade no seu poético abraço -eis uma sensação total de «quinta madeirense», tão penetrante que não está somente no que os sentidos apreendem mas no ar que se respira, abstraindo do tempo. Dir-se-ia esperar alguém, esta quinta desabitada, mas não abandonada - alguém que viesse do passado, como se não tivesse havido descontinuidade entre um ontem longínquo e hoje, dia dos nossos dias.

Quantas festas -e quantos dramas também - tiveram por cenário esta vivenda impregnada de romantismo! Se um lugar pode condensar tudo quanto constitui a feição exterior e a atmosfera social e estética dum pequeno mundo à margem da vida corrente, a Quinta das Angústias é, na Madeira, esse lugar -relativamente às quintas, à época do seu apogeu e a uma espécie de cosmopolitismo sentimental que então surgiu na ilha.

Dando à designação «Ilha da Madeira» o valor dum sinónimo, ela significaria, nos séculos XVIII e XIX, «terra de esperança», para certos doentes de corpo e de alma. Os amantes de novos horizontes, esses, achavam-na tão bela e diferente de todas as outras que voltavam e algumas vezes aqui ficavam para sempre. Muito antes de haver «recreios», agências de viagens e aliciantes cartazes de propaganda dos grandes centros turísticos (bem longe estava ainda a palavra turismo de ser introduzida no vocabulário internacional, com repercussão directa, de enorme peso, na economia de cada país) já demandavam a Madeira pessoas das mais elevadas categorias, vindas dos quatro cantos da Europa. O que as atraía, nesta ilha, era o seu ameno clima e a beleza apregoada por quem uma vez a visitava. Vinham soberanos e aristocratas; sábios e artistas; escritores e poetas; negociantes, milionários e aventureiros de alta estirpe. Com eles vinha qualquer coisa do grande Mundo - silhuetas elegantes ou exóticas, linguagens nunca ouvidas, costumes e audácias desconhecidas aqui. E vinham também as amarguras e sonhos, as esperanças e desesperos que cada um transportava consigo, às vezes no mais fundo do seu ser.
Gente rica ou vivendo como tal, trazia à ilha desusada animação e abria-lhe novas perspectivas de desenvolvi-mento. Logo surgiram hotéis, de iniciativa inglesa. Mas havia sempre quem se deixasse enfeitiçar pelas quintas e numa delas se instalasse, para ficar ou, simplesmente, para uma permanência mais ou menos prolongada.

Ao ambiente panorâmico, inconfundível, que os homens lhe haviam dado, aproveitando as condições excepcionais da natureza, juntaram as quintas o ambiente que a vida humana lhes foi criando. Umas reflectem existências calmas, simples, com o ritmo natural do nascimento à morte, as alegrias e dores de todos os mortais; outras conheceram contrastes violentos, guardaram segredos, abrigaram pessoas atormentadas, inquietas, que lhes transmitiram indefinível melancolia - o rasto duma sombra, o eco dum lamento, uma lembrança triste que o tempo não consegue delir. É assim a Quinta das Angústias - talvez a única, na Madeira, que mantém, intacto, o sortilégio dum passado magnífico e doloroso, com imprevistas mutações e variedade de rostos -gente que chega, gente que parte - num amálgama de agitação e desejo de repouso, de luxo e pobreza de felicidade, de comodidades e incurável desconforto íntimo, de beleza e visões de morte.

Chamou-se primitivamente Quinta das Angústicas porque a sua capela tem a invocação de Nossa Senhora das Angústicas, e julga-se que fazia parte dum morgadio instituido no século XVII Teve sucessivos donos, entre os quais Nicolau II de Ia Tuelière, que lhe fez importantes obras. Já então ali existia o famoso «Mirante de D. Guiomar». Não há nada de romanesco nesta fama... Foi a sua situação, no alto da falésia, que o fez assinalar nas antigas instruções sobre a maneira de fundear com segurança no Porto do Funchal. A designação de «D. Guiomar» vem-lhe de ser este o nome da senhora que, ao tempo, vivia na quinta.

Algumas personalidades que residiram na Quinta das Angústias:

O duque de Leuchtenberg, filho do príncipe Eugênio Napoleão e genro do czar Nicolau I. Quando desembarcou da fragata russa Kamtchatca, depois dum período de quarentena, vinha doente - razão da sua viagem em busca de alívio neste clima privilegiado. Foi isto em 1849. Cerca dum ano depois partia rejuvenescido e bendizia a hora em que tomara o rumo da Madeira. Uma permanência feliz, esta, que deu à Quinta das Angústias meses de animação e vida faustosa - a comitiva do duque de Leuchtenberg compunha-se dum príncipe, um conde, um capitão, um secretário e quinze criados. Apaixonado pelas belezas da ilha, o duque percorreu muitas das suas regiões e foi mesmo a Porto Santo. Levou saudades - como ele próprio confessou, comovida-mente, ao seguir, na fragata Palas, que o transportou de novo à Rússia. Um seu filho, príncipe Nicolau Maximiliano, veio também à Madeira, uns vinte anos mais tarde, e aqui passou uma temporada.

Em Agosto de 1852 desembarcaram no Funchal a imperatriz Amélia do Brasil, viúva de Pedro IV, e sua filha, a princesa Maria Amélia. Tinham vindo de Lisboa, na fragata D. Fernando, escoltadas pela corveta D. João I e pelo navio de guerra D. Luiz. A sua chegada constituiu um acontecimento memorável: a Pontinha encheu-se de pessoas de todas as categorias sociais, curiosas de ver as visitantes, a quem acompanharam, depois, em imponente cortejo, até à Quinta das Angústicas, onde foram residir. Mãe e filha estavam impressionadas com uma recepção tão carinhosa e entusiástica. Maria Amélia sorria... Um sorriso de bondade que logo cativou a multidão. Tão linda e simples, a princezinha! Mas na fisionomia da imperatriz, sob a aparência de serenidade e agrado, transparecia uma vaga tristeza. Todos o compreenderam e mais calorosa-mente ainda rodearam as duas de respeito e simpatia. Sabia-se que a princesa vinha gravemente doente. Quem havia de estranhar as apreensões de sua mãe? No entanto, a atmosfera era de esperança.

Tudo foi em vão! Nem a benignidade dos ares, nem os cuidados de que a rodearam impediram a marcha implacável do seu mal: a tuberculose pulmonar. Cinco meses de agonia, para filha e para a mãe, na placidez duma quinta cheia de flores, tendo diante dos olhos o mar imenso que a princesa tanto amava. Vinte e dois anos tinha aquela jovem, que sempre fora de compleição débil, mas, apesar disso, tanto interesse mostrava pelo estudo, pela arte, pela Vida que lhe fugia de instante a instante. E o momento supremo chegou. A imperatriz partiu para Lisboa no mesmo barco que transportava o cadáver da filha. Ao embarque assistiu uma multidão ainda maior que a do dia da sua chegada, em comovente manifestação, absolutamente espontânea, de desgosto e respeitoso bem-querer. Ninguém se envergonhava de chorar.

A Quinta das Angústias ficou mais uma vez desabitada. No seu ambiente pairava uma densa melancolia e, durante muito tempo, aquela quinta foi o ponto de referência para a lembrança e piedade de quantos haviam conhecido a princesa ou na sua gentileza e doçura tinham ouvido falar. A imperatriz nunca mais esqueceu a Madeira. Antes mesmo de deixar a ilha exprimiu a sua intenção de realizar alguma coisa pelos pobres atacados da mesma doença que lhe arrebatara a filha. Isso fez, numa instalação provisória. Mas, anos depois, nos terrenos fronteiros à Quinta das Angústias, comprados para esse fim, ergueu-se um edifício de grandes proporções e linhas elegantes - um dos mais belos do Funchal - rodeado de jardins, tudo com a aparência duma sumptuosa quinta. Estava cumprido o voto da imperatriz: a fundação dum hospício para vinte e quatro doentes pulmonares, doze de cada sexo - «um vestígio da nossa estada na Madeira que recorde os testemunhos que ambas recebemos dos seus bons habitantes», foram as palavras com que ela própria definiu o seu desejo. Além da situação, conforto e condições gerais que o -Hospício da Princesa D. Maria Amélia deveria ter, recomendou a imperatriz que se atendesse à harmonia do conjunto e se cuidasse dos jardins, « para que os doentes vivessem rodeados de beleza». Até a cor das paredes e outros pormenores da decoração interna foram, mesmo de longe, objecto da sua atenção.

Não chegou D. Amélia a voltar à Madeira, como tencionava, para ver, depois de concluída, a obra que o seu amor e saudade de mãe idealizaram e, persistentemente, através de dificuldades quase insuperáveis, conseguiram concretizar. Mas, antes de morrer, encarregou sua irmã Josefina, raínha da Suécia, de completar-lhe a realização, assegurando de forma definitiva a manutenção e funcionamento do hospício. Assim sucedeu - não sem atritos e complicações que a rainha Josefina soube firmemente vencer. Em plena acção administrado por uma comissão e entregue à direcção das Irmãs de S. Vicente de Paula, como a própria imperatriz e sua irmã determinaram, o Hospício da Princesa D. Maria Amélia é uma instituição modelar, com características especiais, sem ambiente de hospital, mas com todos os recursos de assistência médica e tratamento que a sua finalidade requer.

Quem transpõe o portão pode julgar-se numa esplêndida quinta, cuidadosamente tratada. Os dragoeiros que se avistam da Avenida do Infante, dando uma nota muito local à sua bela perspectiva, sugerem a antiga flora madeirense, quando a ilha era coberta de espécies vegetais que se tomaram raras ou desapareceram quase por completo, como sucede com esta. Os escudos brasileiro e sueco, um de cada lado da entrada, estão ali a testemunhar a origem e garantia de continuidade de tão enternecedora e humanitária iniciativa, que corresponde, na realidade, ao que a imperatriz desejava: toda a gente da Madeira, sobretudo a legião de doentes que ali tem recuperado a saúde ou recebido tratamento e reconforto moral, ame a princezinha que na Quinta das Angústias se finou e bendiga a devoção da saudosa mãe pela sua memória.

Tinha a imperatriz concebido ainda a ideia dum orfanato-escola para crianças pobres. Também esse voto íntimo foi realizado, já por diligências e dedicação das Irmãs de S. Vicente de Paula. Instalado em edifício próprio, construído e depois ampliado expressamente para esse fim, o orfanato, depois de períodos difíceis e grandes lutas, está hoje aberto a elevado número de crianças, tendo uma vida económica autónoma, sem afectar de qualquer forma a administração do Hospício.

Na toponímia da cidade figura a Rua da Imperatriz D. Amélia - aquela que passa junto da Quinta das Angústias e vem terminar mesmo em frente do Hospício da Princesa D. Maria Amélia.

Na segunda metade do séc. XIX o conde de Lambert comprou a quinta e deu-lhe o seu nome. Este conde de Lambert, que foi ajudante de campo da imperatriz da Rússia, desembarcou na Madeira envolto em certo mistério, que a sua profunda tristeza parecia confirmar. Dizia-se que, por motivos íntimos, um grave conflito havia surgido entre ele e um general russo, acabando os dois por chegar a um acordo trágico: tirar à sorte qual deveria suicidar-se. O general russo foi designado. E cumpriu. Mas o conde de Lambert nunca mais teve alegria nem sossego e veio, com a sua irremediável amargura, isolar-se nesta ilha. Instalou-se na Quinta Lambert, que aformoseou, dando à casa o máximo conforto. Viajava de quando em quando: Lisboa, Londres...

Mas regressava depressa. Era no seu refúgio - a quinta - que ele gostava de passar longas horas, sob as árvores, a contemplar o mar. E na quinta morreu, poucos anos depois. Já no século XX, a condessa de Lambert vendeu-a a uma família madeirense. E voltou a chamar-se Quinta das Angústias, esta propriedade de tão romântica história.

Maria Lamas, Arquipélago da Madeira Maravilha Atlântica Funchal, Editorial Eco do Funchal Lda., 1956 pp. 313/217


HISTORIAL

Falar das quintas madeirenses é também ter a oportunidade de conhecer uma parte da História da Madeira, e constatar que, ao longo dos séculos, nunca fomos alheios às transformações externas, mercê da nossa indústria e comércio internacionais.

Algumas são possuidoras de uma história que vem desde os séculos XVI ou XVII, no entanto, o seu estado actual só é adquirido na segunda metade do século XVIII ou durante o século XIX, época em que o aburguesamento capitalista das sociedades europeias ocidentais traduz-se também na construção de grandes vivendas, sinónimos de um grande poder financeiro por parte das grandes famílias da indústria e da banca.

Os ingleses, povo de vanguarda da industrialização europeia, não ficaram alheios às reais
potencialidades da indústria madeirense, e rapidamente algumas famílias se fixaram na Madeira, dedicando-se à industrialização do açúcar e vinho. Com essas famílias veio a nova mentalidade burguesa e apareceram as primeiras grandes quintas, reproduzidas depois pelas famílias ricas da ilha, influenciadas por aquele novo estilo de vida.

No entanto, à excepção de uma ou de outra, as quintas vieram a adquirir um estilo local com um muro rodeando a propriedade, encontrando-se num portão de ferro artisticamente trabalhado, com uma rua ladeada de flores até ao edifício, e com canteiros, árvores e relvados rodeando a vivenda, habitualmente com varanda e capela.

A Quinta das Angústias, inserida neste contexto histórico, não é apenas uma das mais belas e atraentes, como também possuidora de uma história apaixonante e das mais importantes das várias quintas madeirenses.

A sua denominação está associada a uma capela fundada no século XVII com invocação a Nossa Senhora das Angústias.

Julga-se que esta capela fazia parte dum morgadio instituído no século XVII. No entanto, surgem algumas dúvidas quanto ao nome do proprietário e fundador da capela. Terá sido Diogo da Costa Quintal quem fundou a Capela de Nossa Senhora das Angústias em 1662, edificada em terras do seu morgadio. (1) Por outro lado, outra notícia nos é dada de que o vínculo foi instituído por D. Mécia de Vasconcelos por testamento de 25 de Março de 1669, tendo sido a capela fundada, por Jorge de Andrade de Vasconcelos, primeiro administrador do vínculo. (2)
Zona especialmente privilegiada do Funchal, possuía não só uma belíssima vista sobre a Baía, como também terras férteis e de boa produção cerealífera. Esta situação manteve-se pelo menos até ao século XVIII ou inícios do século XIX, altura em que a sua produção agrícola deve ter diminuído ou até desaparecido, pois a Quinta deixou de ser pertença de particulares.

Explica-se assim a razão porque Mateus Fernandes na sua planta do Funchal de cerca de 1570 assinala essas terras com a designação de «Terra de Pão». (3)

Nada nos faz supor que tenha existido outro edifício no local antes do século XVIII, pois data de 1775 a primeira referência da Quinta, assinalada no mapa executado pelo Capitão Skinner, onde figura já o conhecido «Mirante de D. Guiomar», que fazia parte das antigas instruções sobre o modo de ancorar no porto do Funchal. (4)

Sendo assim, a Quinta das Angústias seria já propriedade de D. Guiomar Madalena Acciaoli que provavelmente mandou levantar o primeiro edifício, para além de ter impregnado um grande desenvolvimento agrícola nas terras circundantes.

Apesar disso, tomou-se inevitável que D. Guiomar tivesse os seus bens penhorados por dívidas à Fazenda Nacional, o que se deu no início do século XIX. Foi igualmente neste sítio que D. Joaquim de Menezes e Ataíde, bispo do Funchal, mandou construir em 1818 um pequeno cemitério num terreno que João de Carvalhal cedera gratuitamente, alargado mais tarde pela Câmara Municipal do Funchal em obras que ficaram concluídas em Maio de 1838. (5)
A Quinta das Angústias muda então de fisionomia. As terras de produção cerealífera dão lugar a jardins tropicais, ricos em variedade e número de flores e árvores. A Quinta entra no seu período romântico.

Durante os anos de 1847 e 1853, a Quinta conheceu dois factos que lhe dão hoje o principal valor histórico de que é alvo.

No ano de 1849, a 23 de Agosto, chegou à Madeira numa fragata da marinha russa o príncipe Maximiliano, Duque de Leuchtenberg, que apenas desembarcou quatro dias após um período de quarentena. Durante a sua permanência, o Duque visitou várias freguesias,. incluindo o Porto Santo. Embarcou no dia 23 de Abril de 1850 em direcção à Rússia. (6)

No dia 29 de Agosto de 1852, chegaram na fragata portuguesa D. Fernando II (7) a Imperatriz D. Amélia e sua filha, a Princesa D. Maria Amélia.

Foram personalidades muito bem recebidas na região, devido à ligação com o Rei D. Pedro IV, monarca liberal por quem os madeirenses sempre nutriram imensa simpatia. (8) Sofrendo um avançado grau de tuberculose pulmonar, a princesa procurou na Madeira a cura para a sua doença. Não resistiu, no entanto, e veio a falecer no dia 4 de Fevereiro de 1853 às quatro horas da manhã, como o testemunhou o seu médico assistente Doutor Francisco António Barral. (9) No dia 7 de Maio foi o embarque da Rainha, com os restos mortais da Princesa D. Maria Amélia e restantes pessoas de sua comitiva. (10). O proprietário seguinte de que temos notícia foi Nicolau Hemiterio de la Tuelière, que realizou importantes obras de restauro e ampliação nos edifícios.

Na segunda metade do século XIX, a Quinta das Angústias foi adquirida pelo Conde Alexandre. Carlos de Lambert, ajudante de campo da imperatriz da Rússia, que deu o seu nome à Quinta.

Da vida do Conde pouco se conhece, pois parece ter vindo para a Madeira em condições trágicas, o que terá contribuído para uma vida um pouco isolada. Sabe-se, no entanto, que enquanto «Quinta Lambert», sofreu novas ampliações, devendo ser desta altura os edifícios como o são hoje.

Falecido o Conde em 1866, a Quinta passou para a posse da viúva e seus filhos, sendo depois adquirida pelo Dr. Júlio Paulo de Freitas em 1903. (11) Não possuindo filhos, o proprietário deixa em testamento a sua sobrinha e afilhada D. Isabel Vasconcelos da Cunha, casada com o Sr. Júlio da Cunha Santos.

Em 1964, a Quinta será ocupada pelo Eng. Tomaz da Cunha Santos, herdeiro do Sr. Júlio da Cunha Santos, que a manteve sempre em belo estado de conservação, até que em 1979 foi adquirida pelo Governo da Região Autónoma da Madeira.

NOTAS

(1) Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Meneses, «Angústias (Cemitério das)»
in Elucidário Madeirense, Fac-símile da Edição de 1946,
vol. 1, SRTC, DRAC, Funchal, 1984, p. 70 e sg.
(2) J.M. dos Santos Simões, Azulejaria nos Açores e na Madeira, Lisboa, 1963, p. 156.
(3) «Planta do Funchal» por Mateus Fernandes, Funchal, 1570. Reproduções de original existente na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
(4) Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Meneses, «Guiomar (Mirante de D.)» in op. cit., vol. II, p. III.
(5) Ibidem, vol. I, p. 70.
(6) «Os habitantes d'esta Cidade presenciarão no dia 23 do corrente o espectáculo mais tocante. Queremos falar da despedida de S. A. I. o Príncipe Maximiliano, Duque de Leuchtenberg».
Correio da Madeira, N.‰ 65. 27 de Abril de 185O
(7) O Progressista, N.‰ 57, 11 de Setembro de 1852.
(8) «( ... ) Temos pois na nossa terra a Excelsa Viúva do Duque de Bragança, o Snr. DOM PEDRO, de Saudosa Memória, visita tanto mais honrosa para esta Ilha, quanto será sempre para nós bem grato, que S. Magestade é Viuva do Imortal Doador das instituições liberaes offertadas aos Portuguezes, d'aquelle que por actos de estremado heroísmo dera, a liberdade a dois povos. - Pequeno seria pois, tudo quanto se fizesse na recepção da Ilustre Imperatriz, se n'essas demonstrações se não visse que os desejos iam muito além do que devemos à memória do Grande Pedro».
O Amigo do Povo, N.‰ 101, 4 de Setembro de 1852.
(9) «Sua Alteza Imperial A Princesa Dona Maria Amélia ( ... ) Deo a Alma ao Creador às 4 horas da manhã do dia 4 de Fevereiro de 1853. Paço junto ao Funchal em 4 de Fevereiro de 1853 (Assignado) Doutor Francisco António Barral».
A Ordem, N.‰ 59, 12 de Fevereiro de 1853.
(10) Ibidem, N.‰ 72, 14 de Maio de 1853.
(11) Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Meneses, op. cit., vol. II, p. 213..
     

 

Fotos da Quinta Vigia
 
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